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sábado, 17 de maio de 2014

Confira "Carta Aos Pais", na qual os servidores do IFMA Monte Castelo explicam o porquê da greve!


Caros pais e mães,

Os servidores federais dos Instituto de Educação do Campus Monte Castelo, professores/as e técnicos/as administrativos/as, estão iniciando o processo de construção da sua terceira greve, desde que o antigo CEFET se transformou em IFMA. Como os senhores, somos também trabalhadores, pais e mães de família, cientes das nossas responsabilidades enquanto servidores públicos e educadores. É justamente por termos consciência e responsabilidade pública com a educação de qualidade que estamos mais uma vez discutindo e realizando a greve em nossa escola.

Vocês são sujeitos parte da história da construção do trabalho cotidiano nesta Escola. O fortalecimento do trabalho que realizamos todos os dias tem como premissa o trabalho realizado no âmbito da família. O diálogo entre pais e a escola é fundamental para que possamos avaliar os desafios que temos a enfrentar e as ações que temos que construir para um trabalho de qualidade para os filhos de todos os trabalhadores. Com este objetivo, vimos por meio desta Carta dialogar com vocês e apresentar de modo breve atual cenário educacional da Rede Federal de Ed. Profissional e Tecnológica. 

Antes, gostaríamos de destacar que estamos há três anos sequenciados realizando atividades de paralização, seminários de educação para discutirmos as condições e precarização do trabalho na rede federal, reuniões com o governo, atos públicos em Brasília, reuniões com gestores, movimentos nacionais de greve em conjunto com as Universidades. Portanto, nada do que apresentaremos será novo, pois não estamos conseguindo avançar em nossos desafios, o qual seja melhorar as condições de trabalho, as condições de infraestrutura das escolas e o processo de expansão precário que se instalou em muitos munícipios do Brasil e no Maranhão.

Cenário da Greve em âmbito nacional

No Congresso eleitoral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – SINASEFE, ocorrido nos dias 27, 28, 29 e 30 de março, foi deliberado a construção da greve nacional a partir do dia 21 de abril. Desde esta data vários Institutos Federais, Colégios Militares, Colégio Pedro II e Universidades iniciaram o processo de paralisação nacional: 11 estados e cerca de 50 campi já aderiram à paralisação. Em diversas IFE (instituições federais de educação), estado de greve, de mobilização e indicativos de adesão ao movimento nacional foram aprovados,  e várias assembleias ainda estão por ocorrer em muitas Seções Sindicais.

Há um movimento nacional de paralisação na esfera da educação, não somente a rede federal, mas também na rede estadual e municipal. Em vários Estados as redes públicas de ensino estão paralisando. Mas esta notícia vocês pais não assistirão na rede globo, na Mirante ou em qualquer meio de comunicação de massa. Porque boa parte da grande imprensa está articulada com os poderes políticos para construir a imagem de que tudo está bem para realização da Copa do Mundo. Quando a mídia noticia as greves que nós professores e técnicos em educação realizamos, nos julgam, nos colocando na condição de criminosos, descompromissados, ativistas. Porém, nenhum meio de comunicação discute com profundidade a situação da Educação Pública no país e o processo de expansão da rede federal e as condições de trabalho que vivenciamos. Nós também somos pais e mães, e quando lutamos por uma educação pública de qualidade lutamos por nossos filhos e pelos filhos de vocês, pelos filhos dos trabalhadores.

Cenário da greve em âmbito estadual

Quem está diariamente nas instituições de ensino sabe que a comunidade escolar enfrenta problemas sérios com a falta de estrutura: faltam professores/as e servidores/as, faltam alojamentos, faltam recursos tecnológicos, faltam refeitórios, faltam bibliotecas, faltam laboratórios, chegam a faltar até mesmo salas de aula em algumas escolas, principalmente com essa malfadada expansão. Temos muitas metas para alcançar, implicando em recebimento de verbas para nossas escolas.

O número de professores e técnicos em educação em processo de adoecimento em local de trabalho ampliou significativa desde o ano de 2010. Trabalhamos em dois níveis de ensino diferentes e em três modalidades. Ofertamos educação profissional em nível médio, concomitante, subsequente, ensino superior, educação de jovens e adultos, educação especial. Além das ofertas regulares, estamos com intensificação de nossos trabalhos devido aos inúmeros programas que hoje a rede federal abriga, por isso, uma das nossas reivindicações junto ao governo federal é a destinação de 10% do PIB para a Educação Pública. Os programas esfacelam e diminuem a verba pública dentro da rede federal.

Não estamos reivindicando somente melhorias salariais, este é o discurso que sempre divulgam com o objetivo de desmoralizar a nossa principal pauta de reivindicação: uma educação pública de qualidade socialmente referenciada.

Reivindicamos:

Verba pública para educação pública, ampliação do investimento do PIB! A rede federal está sendo internamente privatizada por várias parcerias com a iniciativa privada, empresas privadas e por inúmeros programas de qualificação profissional. Vocês já ouviram falar do PRONATEC? Este é um dos programas hoje que mais comprometem a construção de um trabalho de qualidade na rede federal de educação.

Mais concursos públicos! O processo de expansão da rede federal tem como lógica “mais matrículas e menos recursos”. Hoje trabalhamos com um número maior de alunos e com menos servidores (professores e técnicos em educação). O governo ao em vez de realizar mais concursos públicos para as escolas que já existem há mais de cinco anos, tem ampliado a contratação de serviços terceirizados.

Reestruturação da nossa carreira! Desde a greve de 2011 estamos fortemente reivindicando a estruturação da nossa carreira. Nossa proposta é de carreira única dos Trabalhadores em Educação, esta é uma das nossas principais metas.

Isonomia dos benefícios entre servidores da esfera federal! Em outros países os professores são a classe de trabalhadores mais bem valorizada e respeitada, não que desejemos estar à frente de outros trabalhadores. Queremos tratamentos sem diferenciação, com igualdade, isonomia e respeito. Assim, reivindicamos o mesmo tratamento de benefícios (alimentação, saúde, transporte) em relação aos demais servidores do governo federal.

Se o governo brasileiro não valoriza e respeita os seus professores não avançaremos na construção de uma educação pública de excelência reconhecida pela sociedade.

Aos pais, pedimos apoio!

É óbvio que quando os trabalhadores fazem greve não é com o objetivo de causar danos a outros trabalhadores Não é a população o alvo da greve. Mas os governantes, os empresários, os gestores, os patrões. Não recordamos ter visto alguma notícia nos jornais sobre greve de políticos ou empresários. Eles não precisam. Quem faz greve é trabalhador que vive do seu salário mensal, que tem família para sustentar, contas a pagar; que enfrenta condições precárias em seu ambiente de trabalho; que está cansado do arrocho salarial, de ver tudo subir, menos o seu salário; que fica indignado com o descaso da coisa pública, com o desvio de recursos e a corrupção.

Não se faz greve para não trabalhar, se faz greve para se trabalhar melhor. Não se faz greve para prejudicar a população, se faz greve para que a população tenha um melhor serviço público. Não se faz greve para obter ou manter privilégios, se faz greve para se conquistar e garantir direitos. Não se faz greve para dividir os trabalhadores, se faz greve para fortalecer a nossa consciência de classe e o sentimento de pertença a uma determinada categoria. Faz-se greve porque nada nos vem de graça, tudo o que temos é fruto da luta.

Por isso, senhores pais, pedimos o vosso apoio nesse momento histórico tão importante para a educação pública. O que pode parecer um dano imediato para os alunos, significará ganhos históricos para a educação pública. Somos nós, educadores, técnicos administrativos, alunos e pais quem de fato tem interesse pela educação pública de qualidade. Somos nós que devemos lutar pela educação pública, pois serão os nossos filhos, os filhos da classe trabalhadora que serão beneficiados.

 

SINASEFE/SEÇÃO MONTE CASTELO

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